20 novembro 2005

No banho...

Adaptação livre do artigo: "All in a Lather", do Yoga journal de Novembro de 2005.
Diana Never não dava importância aos ingredientes do seu champô até que, aos 29 anos, um cancro a forçou a fazer quimioterapia, o que a deixou com inúmeras sensibilidades.
Depois disso, ela redobrou esforços para levar uma vida saudável – tentava comer alimentos biológicos, comprava detergentes livres de químicos e passou a usar champôs e sabonetes etiquetados de "naturais".
Essas mudanças mantiveram as suas sensibilidades de lado, com excepção dos produtos que usava no corpo. Perplexa, começou a ler os rótulos do champô e das loções e ficou surpresa com a longa lista de químicos sintéticos. Quando voltou às compras tentou comprar um champô livre de químicos sintéticos e descobriu que não havia nenhum!
Ao longo dos anos que se seguiram canalizou a sua frustração na criação de um negócio modelo, fundando em 1992 a Terressencials, que produz champôs, sabonetes e outros produtos que tinha procurado em vão.

Nessa altura, o interesse público e político pelo assunto era quase nulo, o que entretanto começou a mudar. No ano passado, a União Europeia aprovou uma directiva que diz que os produtos de higiene pessoal devem ser livres de químicos conhecidos ou muito suspeitos de causarem cancro, mutações genéticas ou deficiências em bebés. Como resultado, mais de 1200 químicos foram banidos.

Na verdade, em cerca de 10500 ingredientes usados nos produtos de higiene pessoal, só cerca de 11% foram testados como seguros.
Por isso, se se preocupa com o que come, está na hora de começar a preocupar-se com os químicos que põe no corpo. Porque a pele absorve-os como uma esponja. E, tal como os pesticidas, podem aumentar o risco de cancro, infertilidade e desordens várias.

Não devemos entrar em pânico, mas pensar que estamos a falar de inúmeros produtos químicos aos quais estamos expostos diariamente, durante anos e anos.

Pressionados por alguns grupos, os fabricantes já começaram a fazer mudanças como é o caso da Unilever, que promete não mais usar os phtalates (ver lista abaixo). Entretanto, podemos encontrar alguns produtos com menos químicos nas lojas naturais, mas nem sempre é fácil afirmar quais são puros.
Um dos grandes problemas para os fabricantes é que os consumidores não gostam do aspecto dos produtos livres de químicos sintéticos. Ninguém quer comprar um champô que não faça espuma ou que pareça acastanhado. É que, na maior parte, os químicos sintéticos são o que dão ao champô a sua cor, fragrância e a tão importante espuma.

Mas isso pode não ser assim. Algumas pequenas companhias, como a Terressentials conseguiram banir todos os ingredientes químicos.

"Olhe para o rótulo do seu champô e pergunte a si mesmo se serviria uma refeição feita com esses ingredientes", pergunta Kaye. "That's the only way it can be."


Algumas companhias que produzem produtos livres de químicos:
Aubrey Organics (www.aubrey-organics.com)
Dr. Bronner's Magic Soaps (http://www.drbronner.com/)
Pangea Organics (www.pangeaorganics.com)
Terressentials (www. terressentials.com)


A lista negra
Com milhares de químicos nas prateleiras, é difícil saber por onde começar a reduzir. Comece por banir as três suspeitas classes abaixo. E tenha em conta que mesmo produtos rotulados de "naturais", "hipo-alergénicos" ou "sem perfume" podem conter ingredientes sintéticos.


PHTHALATES fazem com que o verniz das unhas parta menos, tornam os perfumes mais fragrantes e os cosméticos mais hidratantes. Vários estudos ligam a exposição a phthalates a problemas de infertilidade, especialmente nos homens. Nas grávidas, liga-se a exposição aos phthalates com o desenvolvimento de órgãos genitais anormais nos bebés do sexo masculino.
Ingredientes a evitar: dibutylphthalate (DBP), dimethylphthaiate (DMP), diethyl-phthalate (DEP), and butyl benzyl phthaiate (BBP).

PARABENS são usados como conservantes desde desodorizantes a gel de banho e, a seguir à água, são o segundo ingrediente mais comum. Podem imitar o estrogénio no organismo, o que aumenta o risco de cancro e defeitos de nascença. Calcula-se que se encontrem em 79% dos hidratantes e 66% dos géis de banho e desodorizantes. Embora a indústria garanta a segurança destes químicos, estudos recentes encontraram parabens no tecido do peito de mulheres com cancro da mama.
Ingredientes a evitar: alkyl parahydroxy-benzoate and butyl-, methyl-, ethyl-, propyl-, and isobutylparabens.

PETROLATUM, mais conhecida por vaselina (sim!!!), é considerada um carcinogéneo na UE (mas não nos Estados Unidos) onde é usada em batons ou loções para bebé. No entanto, eu garanto que há muitos produtos no mercado português que têm petrolatum nos ingredientes.
FIM

Eu, depois que li este artigo comecei a ler tudo quanto é rótulo. Fiquei horrorizada. Marcas caras ou baratas, estão todas cheias de produtos químicos da lista acima! Ainda pensei que se calhar isto era tudo um exagero. Mas não é!

Esta semana chegou-me às mãos este artigo:

(http://jornal.publico.clix.pt/magoo/noticias.asp?a=2005&m=11&d=18&uid=&id=49605&sid=5502)

Parlamento Europeu aprova regulamento para os químicos
Ana Fernandes

Da roupa ao computador, do carro ao desodorizante, o dia-a-dia está cheio de substâncias que vão ter de passar a ser testadas.
A polémica proposta que obriga a que os químicos produzidos ou importados na União Europeia sejam avaliados para testar a sua segurança para o ambiente e saúde foi ontem aprovada em primeira leitura pelo Parlamento Europeu. Uma maioria de 407 eurodeputados, contra 155, aceitou o Reach, que significa Registo, Avaliação e Autorização de Químicos, na sigla inglesa.
Esta legislação terá ainda de voltar ao Conselho de Ministros da Competitividade (Indústria) da UE para aprovação, mas a data desta discussão ainda não está definida, já que a Alemanha - onde está o principal pólo industrial neste sector na Europa - pediu que se adiasse o debate, que estava marcado para o fim deste mês.
Se não houver acordo entre os governantes, a proposta voltará ao Parlamento para uma segunda leitura, após a qual poderá ter lugar uma conciliação entre as duas instituições. Porém, a presidência britânica tem-se mostrado empenhada em fazer aprovar esta lei ainda durante o seu mandato, que termina no final do ano.
Este novo regulamento é das peças legislativas mais complexas já analisadas pelo Parlamento e também a que pode ter os maiores impactos em diversos sectores, da indústria ao ambiente, da economia à saúde.
Segundo a proposta aprovada, será obrigatório o registo de 30 mil substâncias produzidas ou importadas pela Europa sempre que ultrapassem uma tonelada. Antes de serem inscritas numa base de dados, terão de passar por uma série de testes para avaliar a sua toxicidade e eventuais impactos no ambiente e na saúde.

Um compromisso estabelecido entre os principais partidos com assento no Parlamento Europeu (conservadores, socialistas e liberais) alterou a proposta inicial apresentada pela Comissão Europeia, simplificando o processo de registo e ensaios para as substâncias produzidas em quantidades inferiores às cem toneladas, com excepção das mais perigosas
ou que oferecem maiores níveis de exposição.
Esta emenda, entre as 1060 que foram introduzidas pelos eurodeputados, vai ao encontro de algumas das pretensões dos industriais mas foi muito criticada pelos ambientalistas e activistas da saúde pública.
A Comissão Europeia começou a preparar esta legislação há dez anos, tendo concluído a proposta há dois. Desde aí, o debate tem vindo sempre a subir de tom, com os industriais a argumentarem que a Europa irá perder o seu papel de liderança no sector e com os activistas a criticarem aquilo a que chamaram constante "esvaziamento" da proposta
inicial.
Esta legislação mexe com praticamente todos os sectores industriais, excepto o alimentar. Da cosmética à indústria automóvel, da electrónica ao sector das tintas ou do vestuário, todos serão envolvidos. Das cerca de 100 mil substâncias presentes no quotidiano, 30 mil podem oferecer riscos, como o aumento dos casos de cancro, de infertilidade ou de alergias.
Apesar das críticas que fazem à proposta aprovada, as organizações não governamentais aplaudiram este "passo importante" dado pelo Parlamento Europeu. Os activistas congratularam-se sobretudo com a inclusão de uma emenda que obriga à substituição das substâncias mais perigosas assim que haja alternativas.

1 comentário:

Marisa disse...

Ola cláudia,
ontem a cristina falou sobre a tua proecupação em relação aos ingredientes quimicos nos produtos. Conheço duas marcas que podes usar em alternativa: Ecover, já vi no carrefour, tem detergente, champô, lava loiça etc. e Weleda que tem mais cremes para cara, pasta de dentes etc.Conheces a loja Iberdieta? Eles devem ter Ecover e tb já me dizerem que vendem Weleda (mas ainda não encontrei lá!) Boa sorte!